Ele, Ela.

Ela gostava de caminhar. Ele gostava de correr.
Ela acordava bem cedo e tomava uma enorme xícara de café. Ele preferia dormir um pouquinho mais e comer uma fruta ao longo do caminho para o trabalho.
Ela gostava de ouvir músicas com piano e trilhas sonoras de filme. Ele amava folk rock.
Livros de fantasia eram os preferidos dela, já os dele, eram os de romance. Entretanto, ela ainda era a mais romântica. Ele amava filmes de terror, enquanto ela passava boa parte do tempo gritando caso visse algum. Ela gostava de filmes de drama com finais reflexivos, histórias de pessoas reais com problemas reais e ele dizia que realismo demais era chato.
Quando eles brigavam, ele era o primeiro a tentar se reconciliar fazendo piadinhas até que ela não fosse forte o suficiente pra segurar o riso. Ela odiava isso, mas no instante seguinte já havia esquecido o motivo da briga e o abraçava. Sim, ela gostava de abraços e ele gostava de retribuí-los.
Ela não rejeitava chocolate e gostava de deixá-los derreter nos dedos. Ele ria disso.
Ele amava cozinhar e, com razão, ela amava isso nele.
Eles adoravam parques de diversão, principalmente os brinquedos de água. Gostavam de sair correndo de mãos dadas, ensopados e rindo enquanto esbarravam nas pessoas que caminhavam. Sentavam-se em qualquer banquinho e tomavam um sorvete (ela, de chocolate e ele, de limão) enquanto o sol secava suas roupas. Eventualmente trocavam beijos apaixonados, gelados e demorados.
Ela se interessava por estrelas e ele por plantas. Ela gostava de desenhar e ele adorava pintar os desenhos dela. Ela gostava de assistir TV encostando a cabeça no ombro dele e ele apoiava a cabeça sobre a dela.
Ela gostava de dormir repousada no peito dele e ele amava o cheiro e o toque do cabelo dela. Ambos adormeciam sorrindo. Ela acordava com o despertador e ele tinha vontade de tacar aquele objeto na parede.
Ela o amava. Ele a amava. Eles se amavam e assim os dias passavam.

domingo, 29 de abril de 2012

One response to Ele, Ela.

  1. Simplesmente perfeito! Como eu disse, merece ser colocado na última página da Revista Veja São Paulo, pois conseguiu uma boa crônica, bem poética por sinal! Adorei!

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