Sentidos

Seus olhos fluindo como um rio corriqueiro, fixando-se em algum ponto fixo, alguma mancha, alguma falha ou imperfeição no ambiente que lhe cerca. Olhos que buscam a entrada de um paraíso artificial que talvez nem seja real, talvez nem exista.
Seus ouvidos que absorvem pegajosamente qualquer som que lhe seja agradável. Palavras muitas vezes desconexas, risos, grunhidos e barulhos que atormentam como cliques  de um Contador Geiger.
Seus lábios abertos, expressivos e ligeiros na tarefa de contar histórias suas, do mundo, da vida e de um todo. Um todo que não se mede.
Suas narinas ansiosas, vorazes na arte de inspirar, capturando cheiros como animais enjaulados e espalhando-os por todo o seu ser. Cheiros da terra, do calor, da chuva e da melancolia que se arrasta pelo indistinto lamaçal.
Seu tato que toca o orvalho, umidificando-lhe as pontas dos dedos. A sensação inebriante de tocar as pétalas de uma flor e passá-las no rosto, sentindo a doçura e a suavidade de um toque inocente. Um toque que não espera nada em troca, exceto uma pureza de sentimento.
E um coração...um coração sobressaltado com tantas sensações, com tanto sentimento, com tanta vida. E ele pulsa cada vez mais rápido, desesperadamente tentando acompanhar o ritmo de tanta emoção. Um coração que sente, um coração que chora e um coração que se regozija por fazer parte de um conjunto. Um coração que se sente sozinho mesmo sabendo que não está e, mesmo assim, continua feliz por ser sincero e continuar sua ritmada e cadenciada função.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

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