A visão embaraçada por algo que não é real...
O som do relógio ensurdece com sua discrição marcada pela monotonia de seu tilintar robotizado. É só um objeto, mas ele me perturba.
Ao olhar pela casa você encontrará de tudo: copos cheios, vazios, quebrados; restos de comida de hoje, de ontem, da semana passada; roupas secas, molhadas ou até impecavelmente dobradas. O relógio não para.
Pelo quarto encontrará fatos, retratos e álbuns bagunçados com memórias bagunçadas, todos eles pedaços de mim. Passado, presente e um possível futuro que eu idealizei. Amigos que já se foram, promessas que foram quebradas e fragmentos de uma personalidade que não existe mais.
E se me visitar com tempo, posso servir-lhe chá com biscoitos recheados enquanto lhe conto minha história. Nem triste, nem feliz, tampouco melancólica ou efusiva demais, apenas minha história que foi marcada em minhas entranhas ao longo do tempo. Não espere muito de mim, nem que eu me reencontre. Só espere alguns sorrisos sinceros e te asseguro o não-desperdício do seu precioso tempo. Afinal, o relógio não para, a vida não para e a gente também não.
Relógio
sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Postar um comentário