Um novo clichê velho

Parece-me que o tempo se coordena de acordo com o seu humor. Digamos que o tempo é um fator um pouco egoísta. Nossas atividades mais cansativas e entediantes parecem trabalhar com ele para se tornarem um tanto mais longas e exaustivas, em contra partida, aquelas atividades que nos oferecem momentos prazerosos e descontraídos parecem passar assustadoramente rápido por nossa rotineira existência.
Se a vida é feita de buscas, é também feita de esperas. Nas mais banais encontram-se aquelas que nos estressam ou causam um certo desconforto, como filas. Filas são sempre um bom exemplo de banalidade incrustada em nossa diária. Entretanto, existem aquelas esperas que ferem mais fundo, que atingem um ponto crítico e nos marcam de alguma maneira. Esperar por um sonho, por alguém e a espera mais verossímil de todas, aquela que denominamos saudade.
O impacto que nos causa a saudade...é um desconforto tão pungente, tão latente e ao mesmo tempo sutil. Saudade é imaginar uma presença agradável ao seu lado, mesmo que ela já não possa estar aqui. As vezes, significa abrir mão de alguma coisa, abrir mão do verdadeiro querer apenas para apaziguar esse sentimento. É dar-se conta de como somos dependentes de outrem e estar bem com isto, mesmo isto nos tornando espécimes de coração frágil. Saudade é ganhar um abraço, um sorriso, retribuir e já querer outro num ciclo infinito de harmonia. Saudade é o diálogo das almas, é a conexão de dois ou mais corações que se distanciam. E toda saudade dói...toda saudade arranca lágrimas daquelas que escorrem quentes pela face, mesmo sem você mesmo saber se são de felicidade ou angústia.
Ah sim, toda saudade realmente dói...mas sabe de uma coisa? A que dói mesmo é aquela saudade de algo que nunca foi, de algo que nunca se teve e ainda se espera ter.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

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