Talvez um passo mais adiante, adentrando um pouco mais no
âmago existencial sobre o qual flutuamos. Ou será que estamos mergulhados? De
certo, não estamos firmes ou com os pés no chão. Pergunto-me se isso é bom. A
dúvida paira, cresce, consome se esvai num frenético vai e vem. O que me resta
é conviver com isso de modo que me entorpeça no brilho ofuscante do autoconhecimento.
Mal me darei conta e criarei asas, essas um pouco mais firmes na tarefa de buscar
e absorver. Meus pés já não tocam mais a confortável superfície e deliciam-se
com o cálido toque do sopro dos ventos. Minhas faces tocam as fofas e úmidas
nuvens, enquanto observo meus problemas, feridas e arrependimentos lá embaixo,
sendo deixados para trás, um peso a menos, na verdade, vários. Não estou mais neste mundo? Não sei. Só sei
que agora finalmente posso conhecer o meu eu. O eu que sempre sonhei em
conhecer, perguntar-lhe muitas coisas, o que por muitas vezes reprimi por
influência do medo, da ansiedade ou por uma desenfreada necessidade de perfeição.
Já não me culpo. Eu fugi disso, e ao mesmo tempo, fugi de mim. Tudo isso sou eu
e eu sou tudo isso. O que passou, passou, mas fica de alguma forma. Quero
agregar novas pessoas, novos cheiros, gestos, toques, abraços, gostos, mentes,
almas e corações. Ah, os corações! O meu coração precisa de muitos deles para
sentir. E é isso o que eu quero. Sentir! Quero sentir e amar a vida e o que ela
me proporciona, sem medo, sem fraquejar, sem respaldar de ombros. Amar a vida, amar
o mundo, amar ao próximo e, é claro, amar a mim mesmo em todos os momentos.
Despertar de asas
sexta-feira, 29 de junho de 2012

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